| Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. Apocalipse 2:7b |
Não odiar é o mesmo que amar? |
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![]() Apesar de parecer óbvia, tenho certeza de que há cristãos que inferem uma ação da outra. Não, não é a mesma coisa. Infelizmente, no que diz respeito às nossas ações, muitas das mesmas não são "normais", no sentido de se aterem àquilo em que acreditamos. E dizemos acreditar que precisamos amar o próximo - inclusive, como mandamento bíblico -, mas muitos de nós, no máximo, não odeiam. Quero chamar à atenção, aqui, para o gravíssimo problema da indiferença. A indiferença é um tipo de atitude, como qualquer outra, só que com a peculiaridade da inércia. É uma espécie de auto-sabotagem, haja vista que a indiferença alimenta-se de uma não-motivação: o indivíduo é levado, pela apatia (sob determinados e específicos aspectos) a nada fazer, inclusive nada sentir. Esta, portanto, é uma condição horrível, uma vez que quanto mais não sentir ou não fazer, "melhor" para a indiferença. Quando menos esperamos, há muito tempo não fazemos nada, porque não sentimos nenhuma motivação a fazer. ![]() Na esfera religiosa, isto assume auspícios de uma crueldade inimaginável. Sim, crueldade. "Não odiar" não infere "amar", como disse, mas o contrário: "não amar". Este é o grande mal da indiferença, imperceptível para quem se alimenta dela. Quando não odiamos, por causa de nossa indiferença, e pensamos que estamos fazendo o bem com isso, na verdade não conseguimos perceber que não amamos, pois amar é agir, é fazer, é ser relevante. A indiferença privilegia a irrelevância, o amor, não. Quando lemos a primeira carta de Paulo aos coríntios, capítulo 13, vemos uma das mais belas descrições do que é amor. Há um trecho curioso que em que está escrito: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". (vss. 4-7). Ora, se o amor não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal e não se alegra com a injustiça é porque é humilde, conveniente, busca os interesses do próximo, é paciente, alegra-se com o bem e entristece-se com a injustiça (alegrando-se com a justiça). O fato de o amor "não fazer" uma série de atos não implica dizer que a neutralidade quanto a estes mesmos atos significa amor ou bondade. Não significa. O oposto do que foi dito implica amor, e não a neutralidade! Assim, cristãos "neutros" convenientemente adaptados ao nosso mundo "plural" e sabedores de seus deveres obrigatórios mas negligentes quanto aos mesmos são cristãos que não amam. Resta a pergunta: se a marca característica do Cristianismo é o amor, o não-amor na vida de um indivíduo o qualificaria como o quê? Só uma resposta obedece a esta simples, porém inequívoca lógica: um não-cristão.Em Cristo Jesus, Pr. Artur Eduardo PORTAL IEVCA |
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